PIB avança 4,5% no terceiro trimestre, mas a crise imobiliária expõe uma mudança profunda no modelo econômico da 2ª economia global
Por Vanusa Reis, da Capital Upgrade
PIB do 3º trimestre cresce na China, mas país enfrenta crise imobiliária | Imagem: Capital Upgrade
A economia chinesa cresceu 4,5% no terceiro trimestre de 2026 (entre julho e setembro), na comparação com o mesmo período do ano anterior. O resultado superou as expectativas do mercado, que projetava expansão de 4,4%, e ficou acima dos 4,3% registrados no trimestre anterior. Entre janeiro e setembro, o avanço acumulado chegou a 4,6%.
À primeira vista, os números sugerem uma economia em recuperação. Mas há uma contradição importante: enquanto a China acelera em tecnologia, indústria e exportações, um dos setores que sustentaram seu crescimento durante décadas continua encolhendo: o imobiliário.
O investimento em desenvolvimento imobiliário caiu 20,6% nos primeiros nove meses do ano, enquanto o valor das vendas de imóveis novos recuou 13,9%. Não se trata apenas de uma crise na construção civil. É um problema que atinge diferentes partes da economia.
Por que o setor imobiliário importa tanto?
Na China, os imóveis representam muito mais do que moradia. Durante décadas, concentraram uma parcela expressiva do patrimônio das famílias. Quando os preços caem, a percepção de riqueza diminui e o consumidor tende a reduzir gastos.
O setor também movimenta uma extensa cadeia produtiva, que envolve aço, cimento, máquinas, construção civil e milhões de empregos. Sua retração afeta fornecedores, investimentos e renda.
Há ainda dois efeitos menos visíveis: os governos locais dependem historicamente da receita obtida com a concessão de terrenos, enquanto os imóveis funcionam como garantias em operações de crédito. Com a desvalorização dos ativos, as finanças públicas locais e a capacidade de financiamento também sofrem pressão.
Então, de onde vem o crescimento?
A crise imobiliária pode comprometer o crescimento econômico chinês | Imagem: Capital Upgrade
Parte importante da resposta está na mudança de direção da economia chinesa. As exportações avançaram 22%, impulsionadas especialmente por produtos industriais e tecnológicos. A produção de robôs industriais e equipamentos de impressão 3D também apresentou forte expansão.
Pequim vem direcionando recursos e políticas industriais para setores considerados estratégicos, como inteligência artificial, veículos elétricos, semicondutores e energias renováveis.
O movimento, entretanto, tem um contraponto: o consumo doméstico e o investimento privado continuam frágeis. Ou seja, a força da indústria e das exportações ainda não se traduz, na mesma proporção, em confiança e poder de compra para as famílias.
O que isso significa para quem faz negócios?
A China não está simplesmente crescendo ou desacelerando. Está mudando os motores que sustentam sua economia.
Essa transição pode redesenhar cadeias globais de produção, alterar a competitividade industrial e influenciar preços, fornecedores e oportunidades de investimento em diferentes mercados.
Para o empresário, acompanhar o PIB é importante. Mas entender o que está por trás dele é decisivo. Afinal, os números mostram o tamanho da economia. As mudanças em sua estrutura revelam para onde ela está indo.
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