Eleições 2026Primeiro turno: o que muda, de verdade, para quem faz negócios
Entender os sinais das urnas no mercado pode ser decisivo para os próximos negócios
Empresários cobram respostas concretas para tributação, contas públicas, juros, crédito e ambiente de negócios
Por Vanusa Reis, Capital Upgrade

O empresário brasileiro não está preocupado apenas com quem vencerá a eleição 2026. Ele quer saber quanto custará financiar a operação, o que acontecerá com os impostos, como ficará sua margem e se haverá segurança para investir, contratar e crescer.
Em 2026, essa preocupação ganha outra dimensão: quem assumir o próximo governo terá de transformar promessas econômicas em regras previsíveis, contas sustentáveis e condições para que empresas continuem investindo.
A Dívida Bruta do Governo Geral atingiu 82,9% do PIB em agosto de 2026 (o que corresponde a R$ 11,1 trilhões), segundo o Banco Central. Em setembro, a Selic foi reduzida para 13,75% ao ano, após permanecer em 14% durante agosto. Para os próximos anos, as projeções do Tesouro Nacional indicam que a dívida poderá alcançar 87,9% do PIB em 2029, antes de iniciar uma trajetória gradual de queda.
A Dívida Bruta do Governo Geral representa o total de obrigações financeiras acumuladas pelos governos federal (incluindo INSS), estaduais e municipais. Expressa em relação ao PIB, ela mostra o peso do endividamento público diante do tamanho da economia brasileira.
Para o empresário, o ponto é simples: quanto maior a pressão sobre as contas públicas, menor tende a ser o espaço para novas despesas sem que o governo precise fazer escolhas, rever gastos ou encontrar novas fontes de receita. E essas escolhas podem afetar o ambiente de negócios, as condições de financiamento e o espaço para investimentos.
A consulta da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgada em 15 de setembro de 2026, ouviu 179 empresas de 28 setores e revelou:
O dado revela que parte das empresas projetam absorver custos maiores sem repassá-los integralmente aos preços.
Para o empresário, a cadeia é direta:
juros → custo do crédito → margem → preço → competitividade → investimento
É nesse ponto que a política econômica deixa de ser um debate abstrato e passa a aparecer no balanço da empresa.
Uma pesquisa do FGV IBRE, divulgada em 7 de outubro, com cerca de 4 mil empresas dos setores de indústria, serviços, comércio e construção, mostra quais são as principais prioridades dos empresários para o próximo governo:
O dado mais contundente é a liderança da tributação, apontada como principal prioridade em todos os setores pesquisados. O resultado ganha ainda mais relevância porque as empresas estão atravessando a transição para um novo sistema de tributação sobre o consumo, cuja conclusão está prevista para 2033.
Tributação elevada → Custo maior → Pressão sobre a margem → Aumento de preços → Menor espaço para investimento → Perda de competitividade
Mais do que uma discussão sobre impostos, os dados revelam uma preocupação com previsibilidade. Para quem planeja uma empresa no horizonte de anos, mudanças de regras, interpretações e obrigações podem significar mais complexidade e menos segurança para tomar decisões de longo prazo. No ambiente empresarial, previsibilidade não é apenas uma questão regulatória: é uma condição para decidir onde investir, quanto investir e quando avançar.
Conhecimento não basta. É preciso saber decidir com estratégia.
Três dias, em Alphaville (SP), para empresários e gestores aprofundarem finanças, liderança e estratégia a partir dos desafios reais de seus negócios.
28, 29 e 30 de outubro, com Lásaro do Carmo Jr., Paulo Vitor Porto e Raduán Melo.
Capital Upgrade
Eleições 2026Entender os sinais das urnas no mercado pode ser decisivo para os próximos negócios
Eleições 2026Após o primeiro turno das Eleições 2026, o verdadeiro mapa de poder que interessa aos negócios vai muito além do Palácio do Planalto
Nossa equipe apresenta os programas e orienta a escolha de acordo com os objetivos da empresa. Solicite informações sobre conteúdo, formato e próximas turmas.