EconomiaA segunda-feira da turbulência: o mercado reagiu. E sua empresa, está preparada?
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Créditos tributários, fornecedores, contratos e precificação também podem determinar o impacto da Reforma Tributária sobre a margem do negócio
Por Vanusa Reis, da Capital Upgrade

A alíquota aprovada ainda passará por sessão no Senado Federal | Imagem: CAUP
O Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou a proposta de alíquota de referência de 11,3% para a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), o novo tributo federal que substituirá o PIS/Pasep e a Cofins no âmbito da Reforma Tributária. O texto segue agora para a chancela do Senado Federal, responsável por fixar o índice definitivo via resolução.
Contudo, para lideranças à frente de operações de alta gestão, encarar essa movimentação como um mero debate legislativo é um erro estratégico gravíssimo. A cada trimestre de hesitação, a sua empresa perde margem de manobra frente aos concorrentes e expõe seu fluxo de caixa a gargalos operacionais.
A alíquota de 11,3% para a CBS compõe a metade federal do novo sistema sobre o consumo, dividindo o palco com o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), de competência estadual e municipal, e com o Imposto Seletivo, que também entra em vigor em 2027.
Embora o mercado acompanhe com atenção as deliberações em Brasília, a verdade inconveniente para o C-Level é clara: Conhecer a alíquota nominal, por si só, não protege a margem operacional nem o capital de giro da empresa.
Numa operação de grande porte, a carga tributária real é moldada pela eficiência na apropriação de créditos, pela resiliência da cadeia de suprimentos e pela capacidade de repasse de custos. Uma variação aparentemente neutra no tributo pode se converter em erosão direta do lucro líquido caso a empresa não domine a dinâmica da não cumulatividade plena do novo IVA.

Se a sua empresa movimenta milhões mensalmente, coloque as provocações abaixo na pauta da sua próxima reunião de diretoria:
Mesmo que a promessa da Reforma seja a neutralidade fiscal ampla, a fase de transição (2027–2033) trará a convivência simultânea de dois sistemas tributários. Sua empresa possui capital de giro suficiente para suportar potenciais delongas no ressarcimento e na homologação de créditos fiscais sem comprometer a liquidez?
A análise consolidada da DRE costuma mascarar distorções severas. Com a CBS em 11,3% e se houver falta de planejamento, você já mapeou qual SKU ou serviço da sua carteira sofrerá aumento real de custo e qual terá redução? Sem essa clareza por centro de resultado, suas decisões de precificação serão cegas.
No novo modelo, o aproveitamento de créditos depende das características da operação, do regime tributário do fornecedor e dos valores de IBS e CBS efetivamente incidentes e recolhidos. Sua empresa já avaliou como o perfil tributário dos principais fornecedores poderá afetar a apropriação de créditos?
Contratos de fornecimento e prestação de serviços com vigência durante a transição tributária merecem revisão. Sua empresa prevê mecanismos de revisão de preços, reequilíbrio econômico-financeiro e adequação às mudanças na tributação? A ausência dessas previsões pode dificultar a renegociação de condições comerciais diante de novos custos.
Adiar os ajustes nos sistemas ERP, na arquitetura fiscal e na governança sob a justificativa de que “o Senado ainda vai decidir” é o caminho mais curto para o gargalo operacional no último trimestre de 2026. O tempo de implementação e adequação de softwares fiscais em grandes empresas precisa ser consultado por cada uma, pois há especificações para porte, dados, módulos comprados, etc.

O avanço da CBS no TCU e no Senado sinaliza que o novo sistema fiscal brasileiro deixou de ser uma hipótese distante para se tornar uma realidade operacional iminente.
Para quem fatura milhões por mês, a questão central nunca foi apenas “quanto a empresa pagará de imposto”. Líderes de grandes mercados sabem que cada mudança regulatória redistribui as cartas do jogo.
A verdadeira pergunta que o empresário deve se fazer hoje é: Sua empresa usará a transição tributária para blindar sua margem e tomar mercado dos concorrentes despreparados, ou será a vítima que tentará se adaptar na véspera do prazo?
O tempo de agir é agora. O planejamento tributário de 2027 começa no seu balanço de hoje.
Em um cenário de transformações econômicas, tributárias e empresariais, líderes precisam estar preparados para antecipar movimentos, questionar decisões e encontrar caminhos para crescer com consistência.
É nesse contexto que a Capital Upgrade apresenta a Imersão e Mentoria em Negócios, uma experiência conduzida por Lásaro do Carmo Jr., Paulo Vitor Porto e Raduán Melo, que reúne conhecimento, experiências de gestão e perspectivas estratégicas para empresários que desejam elevar o nível de suas decisões.
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